"Contos das barrancas do Ribeira"

Recebi por estes dias a agradável visita do amigo, professor e escritor Lélis Ribeiro, de Eldorado, a antiga Xiririca. Na ocasião, Lélis me presenteou com um exemplar de seu primeiro livro “Contos das barrancas do Ribeira” (Lavra Editora, 2025), e ele levou para sua querida cidade um exemplar do meu livro “O Tucano de Ouro – Crônicas da Jureia” (Inteligência, 2012). Ambas as obras tendo como fonte de inspiração o nosso amado Vale do Ribeira.

Nascido da terra do ouro, neto do saudoso escritor xiririquense/eldoradense Leôncio Marques (1898-1973), autor de “Recontando” (publicado postumamente), Lélis Ribeiro, como valerribeirense legítimo que é, mora no meio do mato, no aprazível sítio Floresta de Joias. Graduado em Ciências Biológicas pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), é professor da Rede Pública Estadual, e também monitor ambiental.
Em seu primeiro livro de contos, Lélis transforma a realidade em ficção, apresentando ao leitor nove narrativas breves, narrativas que “fluem como um rio travesso, rio que é também o personagem destas histórias”, como lemos na orelha do livro.
As histórias, apresentadas com delicadeza e humor, resgatam a alma do povo valerribeirense, mostrando ao leitor, nestes tempos sombrios que nos assolam, a nossa gente com suas histórias, encantos e magias.
Ao ler “Contos das barrancas do Ribeira”, pude sentir, pela temática valerribeirense, que esse livro é como se fosse irmão do meu “O Tucano de Ouro”, ambos crias do Ribeira: histórias, vivências e crenças locais, resgatadas nas figuras de personagens ribeirinhos, no caso de Eldorado, e caiçaras, no caso de Iguape. Lélis soube captar a essência de nosso povo, de nossa gente, do nosso Vale do Ribeira.
É impossível não se encantar com a leitura dos contos, cujos personagens, tão nossos, povoam as páginas do livro: “O pássaro encantado” (que me evocou o meu “Tucano de Ouro”); “O menino voador”; “O pescador de urubu”; “O velho do rio” (que me fez lembrar do meu “O sábio pescador”); “Ambrósio e a jaracuçu” (que me trouxe à mente o meu “O caçador”); “A fé de padre Bento”; “A pesca milagrosa”; “O calote do saci” (lembrei-me do meu “As reinações do Saci”); e “O sonho de Ícaro”. Temas tão valerribeirenses, de nosso povo.
Destaque também deve ser dado às belas ilustrações da lavra do jovem artista plástico Eliseu Borges, que passou a sua primeira infância no Quilombo do Nhunguara e atualmente mora em Eldorado. Desenhista, ilustrador, pintor e muralista, participou de diversos eventos culturais locais.
Parabéns pelo belíssimo livro, amigo Lélis. O Ribeira foi muito bem representado em sua obra, e os leitores, claro, já ficam à espera de seu próximo rebento literário, que não deve tardar.
Contato com o Autor: (13) 99656-2155.




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