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Mostrando postagens de outubro, 2025

Loyola Brandão no Vale

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  Ignácio de Loyola Brandão, um dos mais importantes escritores brasileiros contemporâneos, nasceu na cidade de Araraquara (SP) em 31 de julho de 1936, ainda jovem mudou-se para São Paulo, trabalhando como jornalista, desde os 16 anos, em jornais, entre eles, na “ Ultima Hora” , que então pertencia a Samuel Wainer.   Loyola Brandão escreveu mais de 80 livros, como os referenciais “ Zero” (que passou de um milhão de exemplares vendidos) e “ Não verás país nenhum” . O escritor já visitou o Vale do Ribeira em diversas ocasiões, onde participou de encontros literários, inclusive do Festival Literário de Iguape, em 2015.   Mas o que eu queria destacar foi um episódio ocorrido em 1957, no Vale do Ribeira, quando Loyola acompanhou um pastor protestante que fazia trabalho social na região. Em entrevista ao jornal literário “ Rascunho” , o escritor contou a Luiz Rebinski como foi o ocorrido.   Era o mês de julho, fazia muito frio, tempo nublado. De repente, o jovem Loy...

Palavras, palavras, palavras

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  As palavras fazem parte de nossas vidas. É impossível pensar em algo sem nos valer dessas auxiliares da linguagem. Talvez por ser formado em Letras, ou porque leio regularmente desde os oito anos, tenho um interesse especial pela Etimologia, ou seja, pela origem das palavras. Ao longo dos séculos, pode acontecer de muitas palavras sofrerem mudança em seu significado. Quer dizer que uma palavra que hoje significa uma coisa, há cem ou quinhentos anos poderia significar outra coisa.  Dias desses, numa de minhas visitas diárias à banca de minha cidade, encontrei uma edição especial da revista Língua Portuguesa , cujo título era justamente: Etimologia . Comprei-a imediatamente. Lendo os seus interessantíssimos artigos, encontrei a origem e o significado primitivo de muitas palavras hoje utilizadas em nossa língua. Muitas vieram do português arcaico, outras do grego, do latim ou mesmo do hebraico.  Também fiquei sabendo que muita coisa foi inventada para explicar a origem...

Entre livros e sebos

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  Sempre tive pelos sebos uma paixão profunda. Percorrer as prateleiras abarrotadas de livros de todas as épocas enche-me o espírito de satisfação. Garimpando entre um e outro, sempre encontro algo importante, e a preço módico, o que é mais interessante. Anos atrás, num sebo da Praça Mauá, em Santos, encontrei livros raros, pelos quais paguei uma ninharia, entre eles, as “Obras Completas” de Paulo Setúbal, editadas na década de 1950, e “As Farpas” , de Éça de Queirós, edição de 1926.  Num outro sebo, mais chique, no Gonzaga, encontrei “Poemas e Canções” , edição de 1934, de Vicente de Carvalho, um de meus poetas preferidos. Para quem não sabe, Vicente de Carvalho, poeta parnasiano de fina inspiração, sempre teve estreitos laços com o Vale do Ribeira. Era sócio da Companhia de Navegação Fluvial Sul Paulista, que durante décadas foi responsável pela navegação fluvial em nossa região. Criou alguns dos mais belos poemas de nossa língua.  Em Iguape, eu costumava frequenta...

"Ulisses"

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Nunca consegui ler até o final “ Ulisses” , de James Joyce (1882-1941). A primeira tradução para o português, bem sisuda, do filólogo Antônio Houaiss (1915-1989), não consegui, a despeito de diversas tentativas, passar das dez primeiras páginas.      A segunda tradução, mais amena, da Bernardina da Silveira Pinheiro, consegui a proeza de chegar até perto das cem páginas, até que a minha mente começou a embaralhar: eu lia um parágrafo e esquecia o que tinha lido no parágrafo anterior.   A terceira tradução, do Caetano Galindo, mais próxima do coloquialismo de Joyce, até gostei, a leitura foi deslanchando, mas depois apareceram outros livros que me chamaram a atenção, e o livro voltou à estante junto com os outros dois.   Confesso que me senti um completo boçal quando li o veredicto do poeta Ezra Pound (1885-1972): “Todos os homens devem se unir para saudar ´Ulisses´: aqueles que não o fizerem, contentem-se com um lugar nas ordens inferiores.”   Mas, ...

Camus e a condição humana

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Apesar de muitos o considerarem francês, Albert Camus nasceu em 7 de dezembro de 1913, na Argélia, país que durante muito tempo foi colônia da França. Lutou pela emancipação de sua terra e, quando morava em Paris, lutou na Resistência. Como jornalista, nesse período, trabalhou no polêmico jornal “Combat” , periódico que teve brilhante atuação contra o nazifascismo.   Cedo, Camus firmou-se como escritor reconhecido em todo o mudo. Seu primeiro romance, “O Estrangeiro” , publicado em 1940, quando estava com 26 anos, projetou-o nos meios intelectuais parisienses. Jean-Paul Sartre foi o prefaciador do livro e tornou-se seu grande amigo. Durante muitos anos foram os principais representantes do existencialismo francês, apesar de que Camus nunca se considerou um escritor existencialista, título que transferia a Sartre. No entanto, a amizade não durou para sempre. Polêmicos como eram, um dia brigaram (devido a crítica de Sartre ao livro de Camus, “O homem revoltado” , de 1951) e nunca m...

Camões

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  “As armas e os barões assinalados, Que da ocidental praia lusitana, Por mares nunca dantes navegados, Passaram ainda além da Taprobana.”   Quem já não ouviu esses versos, escritos pelo maior poeta da língua portuguesa, Luiz Vaz de Camões? Os versos iniciais foram uma imitação do poema “ Eneida”, de Virgílio: “Arma virumque cano” (“Canto as armas e o varão”). As “armas” se referem aos feitos militares; enquanto “barões” são o mesmo que “varões”, ou seja, homens valorosos, no caso, os portugueses.   A vida de Camões sempre foi envolta numa aura de grandeza e de mistério. Há dúvidas quanto ao local e à data de nascimento do poeta. Não foram localizados documentos comprobatórios, por isso aceitam-se hipóteses as mais variadas. Em seus poemas, Camões colocou muitos dados biográficos, que desde então vem sendo pinçados pelos biógrafos para tentar preencher as muitas lacunas existentes. Camões teria nascido em 23 de janeiro de 1524, em Lisboa. Isto porque um de seus b...

Quando éramos felizes

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  Na TV Excelsior era exibida a novela “Dez Vidas”, com Adriano Reis. O título, acredito, fora tirado da famosa frase “Dez vidas eu tivesse, dez vidas eu daria”, atribuída ao Mártir da Independência, Joaquim José da Silva Xavier, de alcunha “Tiradentes”. O televisor era em branco e preto; a TV em cores só chegaria anos mais tarde. No horário vespertino, assistíamos na TV Tupi , ou na ainda iniciante Globo , os desenhos de Tininha, Brotoeja, Bolinha, Flinstones, Pernalonga, Pica-Pau, Patolino. Os seriados eram “Roy Rogers”, “Bonanza”, “Perdidos no Espaço”, “Terra de Gigantes”, “O Túnel do Tempo”, “Missão Impossível”, “Chaparral”, “Tarzan”, “Zorro”. Dos desenhos animados japoneses tinha predileção por “Speed Racer”.  Ainda me lembro da novela “Pingo de Gente”, exibida pela Tupi , que nos emocionava até as lágrimas. Eu torcia pela Tupi , não gostava muito da Globo ; achava-a um tanto pretenciosa. Certa vez, a Tupi ganhou o prêmio da APCA (Associação Paulista dos Críticos de Ar...

"Aconteceu em Cananeia"

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Nem só Iguape tem o seu Ídolo (estatueta antropomórfica encontrada pelo naturalista Ricardo Krone, no início do século XX). A “Cidade Ilustre do Brasil” também tem o seu Ídolo (de Carvalho), escritor e pesquisador, autor do romance “Aconteceu em Cananeia” (2006) e de “Cananeia, o primeiro povoado do Brasil – A Saga do Bachael” (2010).   Permita-me o leitor tecer algumas pálidas linhas sobre o romance. Com sua prosa vigorosa, Carvalho, como é mais conhecido na cidade, se releva um escritor de muitos méritos. Consegue prender o leitor desde a primeira até a última página.  O Vale do Ribeira já foi tema de vários romances, em diferentes épocas. O escritor santista Vicente Duarte dos Santos publicou “Enquanto sonham as águas” (1958), que tem sua temática centrada em Iguape e fala também de Juquiá e outros municípios do Vale. Eduardo Rodrigues escreveu “O passageiro do destino” (1995), que tem como personagem principal não outro senão o Bacharel de Cananeia. Por sua vez, o c...

Alegria, agruras e tristezas de um professor

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Imagine o leitor como deveria ser a vida de um professor primário no início do século XX numa escola rural do Vale do Ribeira. Imaginou? Parece algo inimaginável, não é mesmo? Pois essa experiência pode ser lida no livro “Alegrias, agruras e tristezas de um professor” , de Raimundo Pastor, que lecionou na escola rural de Ribeirão Grande, bairro da antiga Xiririca (hoje Eldorado), lá pelos idos de 1919. Suas memórias, que foram publicadas em 1970 pelo Centro do Professorado Paulista, levam o leitor a uma fascinante volta ao passado. Tomei conhecimento desse livro – e da história do professor Raimundo Pastor – numa crônica que o meu saudoso amigo J. Mendes publicou em sua coluna na antiga “A Tribuna do Ribeira”, em meados da década de 1980. Desde então, vasculhei incontáveis sebos à procura dessa relíquia, até que, há alguns meses, consegui localizá-la.   O professor Raimundo Pastor, filho de uma família de imigrantes espanhóis, era natural da região de Botucatu. Dedicando toda a...

Profª Ana Maria Sendim (1943-2025)

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A professora Ana Maria Sendim nasceu em São Vicente em 31 de julho de 1943. Durante muitos anos foi professora em Pedro de Toledo. Pesquisou a fundo a história da cidade, publicando os livros "Pedro de Toledo - História e Histórias de Alecrim e Parada Carvalho" (1998) e "Centenário da Imigração Japonesa em Pedro de Toledo - A saga dos primeiros imigrantes" (2014). Tive a satisfação de receber em 2007 seu primeiro livro, autografado. Uma obra de fôlego. O Vale do Ribeira perdeu em 19 de julho de 2025 uma de suas mais ilustres pesquisadoras e divulgadoras, aos 81 anos.

Na Escola Estadual "José Muniz Teixeira"

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  Na tarde de 17 de março de 2025, a convite das professoras Ely Maria e Célia Camargo, tive a grata satisfação de conversar com os alunos do 8° e 9° anos do Ensino Fundamental da Escola Estadual "José Muniz Teixeira", no bairro do Rocio, em Iguape. Na ocasião, palestrei sobre a história da imprensa em Iguape, que no próximo dia 16 de abril, completará 149 anos de existência. Tudo começou em 1876, com a publicação do semanário "O Iguapense", uma iniciativa de Vicente Lourenço Trant. Desde então, dezenas de periódicos foram publicados na cidade. No telão, foram exibidas capas dos jornais e almanaques publicados em Iguape desde o século XIX. Também os alunos puderam conhecer um pouco sobre a vida e a obra dos mais ilustres jornalistas iguapenses, entre os quais destacaram-se Paulo Moutinho, Ernesto Young, Major Mingute, João Bonifácio da Silva, Ary de Moraes Giani, entre outros. Após, seguiu-se animado bate-papo, ocasião em que os alunos tiveram a oportunidade de me p...