"Echos da antiga Paranaguá"

Paranaguá, considerada a cidade-mãe do Paraná, tem muita história. Os primeiros povoadores vieram de Cananeia e São Vicente, entre eles Domingos Peneda, por volta de 1550, em busca do ouro de aluvião, e se estabeleceram inicialmente na Ilha da Cotinga, transferindo-se, cerca de duas décadas mais tarde, para o continente, onde encontra-se hoje a cidade, às margens do Rio Itiberê. Quando o povoador Gabriel de Lara, vindo de Iguape, onde morava, chegou a Paranaguá, já existia um povoado estabelecido e próspero, tanto é que, em 1648, o local foi elevado à categoria de Vila de Nossa Senhora do Rosário de Paranaguá.
A vila foi crescendo e, ainda no século XVII, virou sede de capitania e depois, no século seguinte, de comarca. Iguape e Cananeia pertenceram, judiciariamente, de 1723 a 1833, à Comarca de Paranaguá. Houve intensas relações comerciais, sociais e familiares entre Paranaguá e o Vale do Ribeira até o início do século XX, no tempo da navegação de cabotagem praticada por vapores.
Os anos iniciais de Paranaguá, desde as origens, na Ilha da Cotinga, até a metade do século XIX, foram resgatados pelo historiador português Antônio Vieira dos Santos (1784-1854), em sua “Memória Histórica da Cidade de Paranaguá’ (1850), manuscrito, cuja primeira edição impressa veio à luz em 1922. Outros historiadores ilustres registraram a história de Paranaguá, como Joaquim Tramujas, Vicente Nascimento Júnior, Anibal Ribeiro Filho, Ermelino de Leão, Waldomiro de Freitas, Manoel Viana, para citar apenas alguns.
Por estes dias, terminei a leitura de “Echos da antiga Paranaguá – Memórias da cidade-mãe do Paraná” (Nova Gráfica, 2025), do professor, escritor e historiador parnanguara Hamilton Ferreira Sampaio Júnior, que também é autor de outros livros sobre a história daquela cidade, como “Entre o compasso e o esquadro – Gênese das lojas maçônicas no Paraná” (volume I -1830-1930 e volume II - 1930-1978); “História da poderosa Assembleia Estadual Legislativa do Paraná”; “100 anos da Associação Comercial, Industrial e Agrícola de Paranaguá”; além de mais de duzentas biografias de ilustres parnanguaras publicadas em seu blog “Rastro Ancestral”. Hamilton também é curador do Museu do Grande Oriente do Brasil e da exposição “Memórias do Barão do Cerro Azul”, entre 2024 e 2025, além de especialista em patrimônio cultural, educação patrimonial e em preservação de fachadas históricas. Um currículo invejável, sem dúvida.
Baseado em ampla bibliografia, Hamilton selecionou quarenta temas dos mais representativos da história de Paranaguá e, em textos curtos, leves, prazerosos, bem ao estilo de um cronista talentoso, oferece ao leitor todos os encantos, curiosidades, mistérios e magia da velha cidade-mãe do Paraná. É o tipo de livro que se lê de uma tacada só, de capa a capa, escrito na forma de crônicas, sem academicismo ou citações cansativas.
Ao folhear as páginas de “Echos da antiga Paranaguá”, o leitor passa a conhecer os ricos detalhes da história daquela cidade paranaense, como o excêntrico Grupo dos Voltijadores; a passagem por Paranaguá do padre Leonardo Nunes, o Abarebebê (“padre voador”) e da beata dona Joana de Gusmão; as minas de ouro e prata descobertas em Paranaguá; o folclore com suas histórias fantásticas; a Condor Sindikat; o colégio dos jesuítas; as parteiras; a origem de Nossa Senhora do Rosário; os velhos carnavais; o curioso jogo das flores; o terrível matador; o farol das conchas... Enfim, cada capítulo é um convite para a leitura do próximo, até chegar (infelizmente) à última página.
O historiador Hamilton Sampaio está de parabéns pelo seu novo livro que, a julgar pela abrangência dos temas, poderia ser selecionado para a grade curricular das escolas daquela cidade.

(Contato com o Autor: (41) 9137-2219). 




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