Albert Camus na Unesp
Participei na manhã de 4 de novembro da 19° Semana Nacional do Livro e da Biblioteca, em conjunto com o 9° Encontro de Extensão Universitária da Faculdade de Ciências Agrárias do Vale do Ribeira (FCAVR), da Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho" (UNESP) - Campus de Registro.
Na ocasião, proferi a palestra "Albert Camus no Vale do Ribeira", sobre a histórica visita, entre os dias 5 a 7 de agosto de 1949, do ilustre escritor e filósofo franco-argelino, acompanhado do escritor modernista Oswald de Andrade, de seu filho Rudá de Andrade, do adido cultural francês Paul Silvestre, e do motorista, que Camus não nomeia, mas diz que era semelhante ao filósofo francês Auguste Comte, fundador do Positivismo, corrente filosófica que teve muita influência no Brasil durante o final do século XIX e início do século XX.
A mesa de honra foi composta pelo professor associado Rafael Vilhena Dias Neto, vice-diretor da FCAVR; do professor doutor Luís Carlos Ferreira de Almeida, diretor da faculdade; e Renan Rossi, bibliotecário e diretor da Diretoria Técnica de Biblioteca e Documentação da FCAVR.
Após o Hino Nacional, teve a apresentação do Dueto Brasileiro, formado pelos músicos Henrique Carneiro e Paulinho Medeiros, que executaram músicas brasileiras numa roupagem bem animada.
Durante uma hora muito agradável, pude discorrer sobre a visita de Camus, que veio ao Vale do Ribeira especialmente para conhecer a festa do Bom Jesus, em especial a procissão em seu louvor. Os visitantes saíram de São Paulo às 10h, seguiram pela velha estrada que passava por Piedade, desceram a serra passando por Tapiraí, Juquiá, Registro, Pariquera-Açu e finalmente Iguape, onde chegaram às 24h. Ficaram alojados num quarto do Hospital Feliz Lembrança (antiga Santa Casa).
Camus ficou encantado com a "pedra que cresce", que, segundo a tradição, sempre cresce mesmo quando se retiram lascas, e cujos poderes seriam milagrosos. Suas impressões da viagem e da cidade serviram de inspiração para escrever o conto "A pedra que cresce", inserido no livro "O exílio e o reino". Camus ganhou o Prêmio Nobel de Literatura em 1957.
Ao final, respondi algumas perguntas do público presente. Também reencontrei o meu velho amigo Amazílio Consolini, funcionário da Biblioteca, que há anos tinha um sebo na Praça da Basílica, em Iguape, do qual eu era assíduo freguês. Amazílio me presenteou com o livro "Albert Camus e o teólogo", de Howard Mumma, sobre as conversas existencialistas deste reverendo metodista com o famoso escritor e filósofo.
Agradeço aos amigos da UNESP pelo convite e também pelo mimo com o qual fui presenteado.







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