"Divã do Jekiti - Contos Antoninenses"

 


Antonina é um dos mais antigos municípios paranaenses. Apesar de a vila ter sido fundada em 6 de novembro de 1797, o povoamento da localidade data a partir de 1648, quando o capitão-povoador Gabriel de Lara, vindo de Iguape, concedeu a Antônio de Leão, Pedro Uzeda e Manoel Duarte três sesmarias no litoral da futura vila. A denominação de Antonina foi em homenagem ao príncipe da Beira, Dom Antônio, quando da elevação à vila, num grande ato solene, com a presença das pessoas gradas e do povo em geral, ocasião em que foi levantado o pelourinho, símbolo da justiça. 


Como toda cidade antiga, Antonina tem muitas histórias, estórias e causos. Eduardo Nascimento, professor aposentado do Departamento de Design da Universidade Federal do Paraná, reuniu em livro cinquenta “causos” contados pelos frequentadores do “Jekiti”, um ponto comercial localizado na antiga rodoviária da cidade, que funciona como cafeteria e ponto de ônibus estudantil. Assunto é o que nunca falta, e quem passa por ali sempre tem uma boa história (ou causo) para contar. 


Conhecido como Eduardo Bó, o autor também publicou os livros “Antonina dos meus dias” (1982); “Revisitado” (1994 e 2014); “Crônicas da Capela” (2006); “Carnaval de Antonina, 35 anos de cumplicidade” (2011); “Tenho dito: Antonina, crônicas, casos e acasos” (2012); “Antonina frag-men-tos” (2020); e, como coautor, “Festival de Inverno da UFPR , 11 anos de cultura, arte e cidadania’ (2001).


Em “Divã do Jekiti – causos antoninenses” (Edição do Autor, Antonina, 2023), Eduardo Nascimento recolheu, na primeira parte do livro, as histórias contadas pelos frequentadores do “Jekiti”, e, na segunda parte, as suas próprias recordações da infância e juventude. 


Histórias cômicas, histórias tristes, histórias pitorescas. Tem de tudo no livro. Como a história de Epitácio, que, retornando do Rio de Janeiro para Curitiba, ao pretender pegar o ônibus para Antonina, se confundiu com a cor do veículo e acabou embarcando no ônibus para Irati, município paranaense localizado a 246 quilômetros de distância! Chegando nesta cidade, como não tinha mais horário de ônibus para Antonina, teve de ficar numa pousada, sendo “devorado” por pulgas famintas...


Ou a história da Lizangela, cujo quintal da casa ficava cheio de sapos. Numa noite de verão, seu pai catou vários batráquios e os colocou uma sacola. A família foi de carro até a praça para tomar sorvete, e a sacola com os sapos tinha sido colocada no automóvel. O pai decidiu sentar-se num banco da praça, levou a sacola com os sapos e depois voltou para o carro, deixando a sacola no banco. Nisso, aparece uma senhora com duas crianças, que ficou curiosa em saber o que tinha na sacola. Olhou para os lados, certificando-se de que ninguém estava vendo, e abriu a sacola. Foi só sapo que pulou para todo lado! Nem é preciso dizer que as crianças saíram correndo e a senhora foi embora reclamando e xingando...


Entre outras recordações, Eduardo Bó conta sobre a sua viagem com a família à Jureia, em Iguape, no ano de 2021. Foi uma verdadeira aventura. Na Barra do Ribeira, teve como cicerone um caiçara local, que, ao perguntar de onde os visitantes vinham, ao saber que eram de Antonina, ficou surpreso, e disse que a sua esposa também era de Antonina! O mundo é mesmo pequeno...


De leitura fácil e estilo prazeroso, os “Causos Antoninenses” retratam o bom humor e o espírito conversador do povo de Antonina, uma cidade com a qual, até o início do século XX, Iguape manteve relações comerciais, praticadas via navegação de cabotagem por vapores das companhias marítimas.  

__________

Contato com o Autor:

Eduardo Nascimento

https://www.facebook.com/eduardo.nascimento2




Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Profª Ana Maria Sendim (1943-2025)

Feliz Natal!

Na Escola Estadual "José Muniz Teixeira"